Territórios de Exclusão

O contexto espacial e social constitui um elemento de socialização determinante para o sujeito, pois este absorve a informação que lhe chega através do local onde habita, dos arredores e das relações de sociabilidade que mantém com os outros. Pereira (2017) ao falar dos contextos espaciais e sociais aborda, em
específico, os bairros de habitação social, como potenciais territórios de exclusão (social). A infância nos bairros de
habitação social movimenta práticas, hábitos, atitudes, assim como promove a criação
de laços sociais entre os diferentes atores. Por outro lado, a vivência no
bairro social é tido como sinal de estigma, pelo que é, facilmente apontado como potencial e provável território de exclusão, devido aos relatos de criminalidade, tráfico de droga,
insegurança, ou seja, devido à proliferação de problemas sociais que são
emergentes. No entanto, os territórios de exclusão vão muito para além do âmbito espacial dos bairros e dos subúrbios citadinos considerados problemáticos. Não raras vezes, é a própria Escola que se constitui como um dos mais inesperados territórios de exclusão na medida em que, ela própria, acaba por silenciar os discursos e práticas dissonantes dos da "classe dominante". Jesus Maria Sousa (2000) alerta para o facto da Escola não poder silenciar as vozes que lhe pareçam dissonantes do discurso culturalmente padronizado sob pena de estar a criar um território de exclusão no microcosmos escolar. Por outro lado, sendo certo que a Escola se depara com todos os fenómenos existentes na sociedade, ainda que numa escala menor, é fácil que esta se transforme num território de exclusão se não existirem estratégias destinadas a esbater os problemas de bullying, a discriminação racial e étnica, e outros problemas sociais transportados para dentro do espaço escolar onde se espera que seja promovido um desenvolvimento humano mais harmonioso, combatendo todas as formas de pobreza,
exclusão social, intolerâncias e opressões (Delors, 2001).
Pobreza e Exclusão
revisitando conceitos
O conceito (de pobreza) pretende abranger a privação de recursos materiais que afeta as populações desempregadas ou mal remuneradas, tendo por cenário um processo tendencial de pauperização dos indivíduos ou dos grupos. A pobreza será a forma mais extremada da desigualdade social, facilitando o alargamento do fosso entre os grupos sociais, ou seja, promovendo o aumento da polarização social. A exclusão social, por seu lado, surge como um processo, com carácter estrutural, de fragilização e ruptura dos laços sociais e consequente dependência do assistencialismo público. (Rodrigues 2017).
Para este autor a definição de exclusão social será " (...) um processo, com carácter estrutural, de fragilização e ruptura dos laços sociais, e consequente dependência do assistencialismo público (...)" (Rodrigues (s/d, p.174), ou seja, um processo de ruptura com o tecido social, por um lado caracterizado pela ausência de um combinado de recursos básicos (económicos, sociais, culturais) e por outro pelos mecanismos estigmatizantes
Segundo a perspetiva de Rodrigues (s/d) não é apenas desigualdade, diferença ou desvantagem social, mas sim uma ruptura de laços com a sociedade envolvente.
Deste modo, Rodrigues (s/d) refere que é possível diferenciar quatro estados dentro do processo de exclusão, nomeadamente: integração; vulnerabilização; assistência e desfiliação. Neste sentido, trata-se de um fenómeno que é "(...) resultado de uma série de rupturas de pertenças e de relações, que isola os indivíduos, afastando-os dos grupos da sociedade em geral (...)" (Rodrigues, p.777).
A exclusão social apresenta ainda uma dimensão espacial ou territorial, por sua vez fruto do incremento descontrolado das preferias e das suas condições singulares de vida, bem como, resultado da falta e escassez de serviços e equipamentos.
Rodrigues (s/d) elucida que a exclusão social trata-se de um processo complexo e multidimensional, que produz impacto sobre um aglomerado de pessoas, por sua vez expostas a um conjunto de vulnerabilidades de ordem económica, social, cultural. A relação estabelecida entre tais vulnerabilidades edifica uma barreira para a inserção social.
Neste sentido, as pessoas excluídas são aquelas, cujas condições de vida encontram-se desadequada comparativamente aos padrões da sociedade.
Direcionando o olhar da sociedade sobre a perspetiva holística (como um todo), constatamos que a exclusão social coloca em causa a coesão social, na medida em que origina entraves à efetivação dos direitos de cidadania.
Desta forma, "(...) a exclusão é o resultado da articulação e da interação reciproca dos mecanismos sociais globais, dos mecanismos sociais locais e regionais e dos fcatores individuais e grupais. " (Rodrigues, s/d, p.183).
De acordo com Rodrigues (s/d),é possível identificar três dimensões da expressividade da exclusão social, nomeadamente: económica, relacional e simbólica.
A dimensão económica, remete para o emprego e para o acesso aos recursos disponíveis nos diversos subsistemas da sociedade. Quanto ao campo relacional, reflete-se na integração e socialização, ou seja a interação entre os sistemas da comunidade (família, escola, grupo). Quanto à dimensão simbólica refere-se ao papel do próprio indivíduo perante a sociedade, a forma como atribui si o valor social.
Romper com as relações de poder geradoras de exclusão
Romper com as relações de poder geradoras de desigualdades só poderá ser feita, em primeiro lugar, pelos excluídos (a quem Paulo Freire chamou de oprimidos): é preciso fazer "da opressão e das suas causas objeto de reflexão dos oprimidos, de que resultará o seu engajamento necessário na luta por sua libertação" (Freire, 1970). A luta por este rompimento com as relações de poder, que permitam dar voz aos excluídos numa sociedade igualitária e verdadeiramente democrática, poderá ser feita com recurso a inúmeros instrumentos.
No entanto, é na educação que o homem encontra "a arma mais poderosa para mudar o mundo" (Mandela, 2013). Garantir uma Educação de qualidade, acessível a todos, sem contingências de ordem social, religiosa, étnica ou cultural é uma das incumbências e das obrigações dos governos. E nós, os que nos preparamos para o trabalho nas áreas da Educação e do Social, temos que ser agentes ativos dessas mudanças e não apenas meros técnicos ou funcionários de uma empresa ou de um qualquer serviço público.
Defender a Escola Pública, a manutenção de serviços públicos essenciais às populações, um sistema de apoios sociais, acessível a quem deles necessite, fomentando o caráter reivindicativo, próprio de quem não desiste de lutar pelos seus direitos é a melhor forma de garantirmos que os excluídos terão voz perante o poder e de combatermos as desigualdades e a exclusão.
Territórios...

Discriminação Sexual

Exclusão de indivíduos com deficiências.

Exclusão de indivíduos analfabetos e/ou com poucas habilitações.

Segregação Racial

